13.04.2012
Tem nome de flor mas é ao peixe que dedica as horas do seu dia. Desde os 9 anos que Açucena trabalha com este produto e garante que é muito feliz assim.
No Peixe Em Lisboa, a primeira pessoa a captar a atenção do Sabores não foi nenhum dos grandes chefes de cozinha lá presentes, mas a mais conhecida vendedora de peixe da cidade.
Quem frequenta o Mercado 31 de Janeiro já conhece Açucena Veloso. De voz rouca, porte pequeno, cara de menina e muito orgulho no que faz, explica-nos porque é que os cozinheiros dos melhores restaurantes e hotéis lhe confiam a reserva do pescado. “Só vendo peixe de qualidade. Já me encontrei aqui com o (Vítor) Sobral, com o do Bocca (Alexandre Silva), com o (José) Avillez, a Justa Nobre… todos os que estão aqui (no Peixe em Lisboa) são meus clientes. E forneço vários outros restaurantes: o Gambrinus, o Mercado do Peixe…”
Mas não são só os chefes de cozinha que preferem a banca de Açucena Veloso. Há gerações de famílias que vão à praça e já nem sequer perguntam se o peixe do dia é fresco, porque “sabem que ali é tudo bom”, adianta a vendedora. “Tenho clientes que iam com as mães e agora vão eles com os filhos, durante a semana vão aqueles casais muito simpáticos que eu adoro. A minha clientela já não é uma clientela qualquer, é uma família!”
Açucena começou a trabalhar com a madrinha com apenas 9 anos e nunca mais largou o peixe. “Antigamente éramos 120 vendedoras de peixe e cada uma vendia uma qualidade”, sendo a pescada o peixe que lhe calhou em sorte. “Mas vendia 100 quilos de pescada por dia, não era uma nem duas nem meia dúzia…”, sublinha. Aos 19 anos, idade com que casou, ia com o marido para dentro dos barcos que chegavam à Ribeira, com a água pelo meio das pernas, marcar o pescado que lhe interessava. Dorme pouco e trabalha muito: “quem corre por gosto não cansa”, garante Açucena, “não estou arrependida de ter arranjado este trabalho, porque gosto muito!” Com o passar dos anos, construiu um negócio sólido que emprega hoje 14 pessoas.
Entre trabalhadores, fornecedores e clientes, faz o possível por ir à lota sempre que pode, seja em Setúbal ou Peniche, e reserva os melhores peixes que chegam ao MARL (Mercado Abastecedor da Região de Lisboa). Assim, é natural que o peixe seja um produto sem segredos, da pescada ao robalo, do pregado à novidade do skrei. ”Ainda temos o skrei, que é ótimo, é bom de todas as maneiras: no forno, assado, cozido, é um espetáculo”, diz a conhecedora a recordar que a época do bacalhau fresco do Ártico dura de fevereiro a abril.
Para estes dias de primavera ventosa e fria, a recomendação vai para um peixe assado no forno. E lá mais para o verão, “apetece a sardinha grelhada, quando está mais gorda, com salada”. Mas as preferências de cada época não excluem outras variedades, até porque, para Açucena, qualquer peixe “assado, grelhado, cozido ou frito é bom de todas a maneiras”.
Texto e foto de Ana César Costa
Açucena Veloso Mercado 31 de Janeiro (Saldanha) Rua Engenheiro Viera da Silva, 31, 1º piso, 70 1050-105 Lisboa