Quando o chocolate é paixão


20.02.2008

Chama-se "Mercado do Chocolate" e é, desde final de 2007, um cantinho muito especial em Campo de Ourique. Branco, negro, com ou sem açúcar, o chocolate aqui, prova-se de muitas maneiras.


“Era uma vez dois irmãos; um menino, chamado Hansel e uma menina, chamada Gretel...” Assim começa aquela que é, provavelmente, a história mais conhecida com chocolate. Um conto saído da imaginação dos irmãos Grimm que tem cativado gerações de leitores com a casa de chocolate e as maldades da bruxa da Floresta Negra. Há no chocolate este dom de encanto e de atracção que cativa miúdos e graúdos. Isso mesmo prova o espaço que funciona no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, desde Dezembro de 2007. No “Mercado do Chocolate”, este é uma experiência para degustar, ver e cheirar. Apesar de não existir a gaiola da bruxa má, corremos o risco de ficar presos, tentados pela provocação de chocolates em combinações e formas surpreendentes.
Joana Severino partilha com a mãe, Maria João Araújo, a gestão deste negócio familiar. Depois de trabalhar no ramo da comunicação, Joana considerou a mudança e lançou um projecto próprio. O mote foi o chocolate; a inspiração nasceu nas viagens ao estrangeiro, especialmente à Holanda e Dinamarca. “Sempre me fascinaram as chocolatarias que visitava lá fora. Quis introduzir um conceito semelhante em Portugal, com as melhores marcas de mestres chocolateiros”, conta-nos Joana. Definido o projecto, Campo de Ourique pareceu uma solução lógica para o implantar. Pesou na escolha o conhecimento da zona e “o facto de ser um bairro com cunho tradicional, que se adapta a um projecto que é gourmet”, sublinha Joana Severino. A loja, no Mercado de Campo de Ourique, nasceu do traço da designer de interiores Rita Richart, combinando um castanho “guloso”, sedutoramente chocolate, com um provocante e contrastante rosa. Como pormenor a luz que se insinua do discreto lustre no tecto.

O “Mercado do Chocolate” prova que tamanho não é sinónimo de variedade. A loja aconchega num espaço intimista uma viagem por múltiplos horizontes sensoriais associados ao chocolate. Portugal surge como preferência, pois em terras lusas também se trata com criatividade e mestria o chocolate. Fora de portas, Itália, África do Sul, Inglaterra, São Tomé e Príncipe, Áustria, são algumas das referências geográficas da oferta aconchegada nos expositores. Se por um lado encontramos os clássicos, por outro surpreendemo-nos com estreias no nosso universo do chocolate, como a barra que combina o cacau com o tomate e o azeite; a compota que casa o chocolate com o pepino ou o spaghetti de cacau.

Os sabores:
Comecemos pelas barras, com marcas estrangeiras e nacionais (Cláudio Corallo, Zotter, Mestre Cacau, entre outras), em variações na quantidade de cacau e nos sabores. Gengibre, laranja, Vinho do Porto, funcho, tomate e azeite, vinho e requeijão, batata-doce e rosmaninho, são apenas alguns exemplos entre as muitas experiências para o nosso palato.
Nas compotas, mais uma vez o chocolate é condição, combinado com maracujá, framboesa, pepino, pêra rocha e maçã, para citar apenas algumas das propostas.
Quanto às bolachas, o desafio é pensar um sabor e não o encontrar. Da marca “Zira Cadaval” provam-se os biscoitos de noz, de amêndoa, de alfarroba, de pinhão-limão, de gengibre. Tentações para derreter na “gulodice entre as gulodices”, o irresistível chocolate quente que, aqui, no “Mercado” também tem lugar cativo.
Não foi, igualmente, esquecido o chocolate para preparos culinários, seja para bolos, seja para combinações menos usuais. Há desde molhos de chocolate prontos para o micro-ondas, a pepitas de cacau para fondue. Há, ainda, mousse de vinagre balsâmico de Modena com aroma a cacau que, como nos garante Joana Severino, “produz resultados excelentes nas saladas e no acompanhamento de queijos e gelados. Dá um toque de cozinha de autor à mesa das nossas casas”.
A Itália faz-se representar no “Mercado do Chocolate” com as suas massas, em variações que introduzem o cacau. “O spaghetti de chocolate liga bem com queijos, natas, marisco, alho francês”, diz-nos Joana, embora acrescente que “os resultados com tomate não são tão apetitosos”.
Num périplo por sabores gulosos não podem faltar os incontornáveis bombons. No “Mercado” vendem-se em caixas e em avulso e há-os de diferentes marcas (Mestre Cacau, Denegro, Casta Lusa, Quinta do Xocolatl, Chocolataria do Teatro só para citar algumas) e sabores: tomilho, rosa, ameixa, aguardente de figo, flor de sal, laranja biológica, castanha, entre muitos outros.
Há também os utensílios para confeccionar e conservar o chocolate. Fondues, chocolateiras eléctricas com acessórios para produzir bombons, copos e batedores, raladores.
Tudo com um toque muito doméstico, quase artesanal; que nos faz sentir numa dimensão de experiência em torno do chocolate. Joana Severino sente o mesmo e garante que o projecto, nascido de uma paixão, vai crescer com a criação de marca própria.
Para o “Mercado do Chocolate” não há florestas negras nem bruxas más.

Jorge Andrade

“Mercado do Chocolate”
Mercado de Campo de Ourique, loja 34
(frente à Igreja de Santo Condestável)
Segunda a Sexta: 10h00 - 19h00
Sábado: 10h00 – 14h30
Tel. 931 116 074

Ir para Listagem de Feeds RSS